A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP, na sigla em inglês) confirmou a apreensão de mais de 445 mil itens falsificados relacionados à Copa do Mundo durante o torneio, incluindo camisas de futebol piratas vendidas em bancas improvisadas e pela internet. Segundo as autoridades, o prejuízo estimado à indústria licenciada gira em torno de 32 milhões de dólares, um número que evidencia o tamanho da economia paralela que se forma ao redor de grandes eventos esportivos.
A operação, batizada de "Final Whistle", teve como foco principal a região metropolitana de Nova York nas semanas que antecederam a decisão no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Enquanto turistas circulavam entre pontos como a Times Square, alguns deles aproveitando o clima competitivo e opções de entretenimento como as disponíveis em las vegas sapphirebet, as autoridades intensificavam fiscalizações em bancas de rua que vendiam camisas da Argentina por valores entre 30 e 40 dólares - bem abaixo dos 110 dólares cobrados pela versão oficial da Adidas.
Messi lidera a lista de falsificações
Frank Russo, diretor de operações de campo do escritório da CBP em Nova York, revelou à reportagem do The Athletic qual jogador foi o mais visado pelos falsificadores. "É o Messi", afirmou. "Vimos muitas camisas dele, com o desempenho que teve na competição. Recebemos de tudo, mas os jogadores mais populares acabam sendo destaque." A camisa "Messi 10" foi, segundo relatos de torcedores argentinos ouvidos nos arredores de Times Square, a peça mais procurada - tanto antes quanto depois da decisão, mesmo com a derrota da seleção albiceleste na final. Muitos torcedores admitiram abertamente que compraram versões falsificadas, seja nos Estados Unidos ou em sites internacionais.
Números nacionais e ação conjunta com o Canadá
Somente na cidade de Nova York, foram registradas 2.000 apreensões de encomendas e a inspeção de 1.400 voos e cargas, resultando em 65 mil itens interceptados. Em todo o território americano, a chamada "Operation Team Player" - que reuniu o National Intellectual Property Rights Coordination Center e outras forças policiais - realizou batidas em bancas próximas a estádios e centros urbanos nas 11 cidades-sede. Miami registrou 16 mil apreensões, Houston outras 12 mil, e o Canadá, também sede do torneio, contribuiu com mais 16 mil itens confiscados em Toronto.
"Assim como acontece no Super Bowl, sempre vemos um aumento expressivo no número de remessas, não só antes da final, mas também depois dela", explicou Russo. Segundo a CBP, entre 60% e 70% dos produtos ilegais enviados aos Estados Unidos por via aérea ou marítima têm origem na China e em Hong Kong, regiões conhecidas pela fabricação em massa de camisas falsificadas. Em um dos casos, um manifesto de carga declarava o transporte de toalhas, mas a inspeção revelou mais de 2 mil itens de vestuário falsificado, incluindo camisas de times e seleções.
Um problema global, não apenas americano
O fenômeno não se limita aos Estados Unidos. No Reino Unido, uma operação na Escócia resultou na apreensão recorde de 58 mil camisas falsificadas da Copa do Mundo, avaliadas em 5,5 milhões de libras (cerca de 7,3 milhões de dólares). A ação conjunta entre a Trading Standards de Edimburgo, a Polícia da Escócia, o time de Propriedade Intelectual de Newport e a empresa Back Four rastreou um centro de distribuição focado exclusivamente em camisas de seleções: Inglaterra (60%), Escócia (20%), Portugal (8%), França (6%) e Espanha (6%).
Para Russo, o maior desafio não é apenas logístico, mas educativo. "Precisamos fazer um trabalho melhor para educar o público sobre esses riscos", disse, lembrando que o dinheiro arrecadado com produtos falsificados pode financiar "desde atividades ligadas ao terrorismo até lavagem de dinheiro". John Herriman, executivo-chefe do Chartered Trading Standards Institute, reforçou a dimensão do problema: o comércio global de produtos falsificados movimenta cerca de 467 bilhões de dólares por ano, o equivalente a 2,3% do comércio mundial - um mercado que, segundo ele, "está longe de ser um crime sem vítimas".